quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Ímã de criança

Não me levem a mal, eu amo os pequenos. Acho uma das coisas mais mágicas e maravilhosas do mundo o fato de que podemos gerar uma nova vida dentro de nós. Mas quem foi Au Pair sabe, que depois de 1 ou 2 anos cuidando do filho dos outros num contato quase 24/7, por um bom tempo criança só é linda de longe e sem som.

Pois é, mas eu atraio criança. Sou um ímã quando nessa altura do campeonato gostaria de ser repelente. Ontem acompanhei a minha família americana a um clube aquático pra um dia na piscina. Que divertido! Nem lembrava mais quando tinha sido a última vez que senti o cheiro de cloro no meu cabelo. E lá estou eu relaxando quando uma criança aleatória me chama, "ei, me ajuda a chegar do outro lado da piscina?". Senti cheiro de trabalho, mas "Claro", respondi com a minha bondade característica, e fui carregando ela nas costas até a outra borda. A piscina era funda, então fazia sentido, e um favorzinho não faz mal a ninguém.

Ao conseguir o que queria, ela perguntou o meu nome, e depois disso a palavra sossego parecia ter sido sequestrada da minha vida. Lá se foi a minha sensação de que a vida era bela. Daquele momento em diante ela grudou em mim, como chiclete em cabelo, cola em olho de bebê. Ó Nossa Senhora das Ex-Au Pairs, tira essa criança-encosto de cima de mim! Nem quando nadei pra parte funda da piscina adiantou. Ela me seguiu do lado de fora da piscina (me-do), ameaçou pular na água (!) e queria que eu carregasse ela nas costas de novo. No mínimo achando que eu era uma prancha de natação viva. Nadei correndo pro lado oposto, mudei de piscina, e tive que ficar boiando perto da minha família até o apito do salva-vidas soar avisando que era hora de ir embora.

A mãe dela? BUnitona, sentada na arquibancada lendo revista. Essa terra de meu deus tem cada pai que vou te contar... No final ela ainda passou por mim dando tchauzinho, e a mãe dela com um sorriso maior que o rosto no melhor estilo fiz-porra-nenhuma-essa-manhã.

Quanto mais o tempo passa, mais eu tenho certeza: mãe só aos 50.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Meu Vestido Favorito

Tenho pra mim que alguns relacionamentos são como aquele vestido que você mais ama. Seu favorito dentre todos os que você já teve até hoje. Ele te deixa mais atraente, mais feminina, mais bonita do que todos os outros. Tudo parece melhor com ele! Tão perfeito que você chega a desejar que ele dure pra sempre. Mas o tempo passa e por algum motivo além da sua vontade, o vestido já não é mais o mesmo. Talvez nunca tenha sido tudo o que você pensava, e uma vozinha que você não quer ouvir, sussurra: "talvez não fosse pra você". Muitas vezes a vontade de ter um vestido é tão grande que a gente nem repara nos detalhes, ou queria tanto que fosse o nosso número que ignoramos os sinais que o próprio vestido dá quando experimenta. Mas a gente insiste, não desiste, e fica se perguntando quando e como isso aconteceu. Até outro dia lá estava ele, lindo, te fazendo tão bem. O pânico acomete e a gente acha que nunca mais vai encontrar outro vestido tão perfeito como aquele. Se agarra, não quer se desfazer dele por mais que ele não seja mais o mesmo e seus amigos já tenham percebido que já está na hora de passar ele adiante. Mas não importa o que falem, tem sempre aquela esperança de que talvez se a gente de adaptar, perder uns quilinhos quem sabe, ele servirá como antes. O que a gente não entende ou não quer entender é que enquanto estivermos mantendo aquele vestido que não combina mais, no nosso armário, nenhum outro vai ser bom o suficiente e não haverá espaço para um novo. Vamos estar sempre comparando. O vestido que não serve mais precisa ir para que possamos reparar em todos os outros que estão por aí a nossa volta. São tantas as lojas! Tantas as oportunidades! Se não serve pra gente, vai servir pra outra pessoa que tenha as medidas certas pra aquele modelo, e consequentemente fazer esse outro alguém mais feliz. E assim, num dia qualquer, na hora do almoço, passeando no shopping, ou até mesmo de presente de uma amiga, você vai encontrar aquele que você queria, mas dessa vez com as suas reais medidas, não as que você pensou que tinha.

domingo, 22 de janeiro de 2012

E a coragem, pra onde foi?

Sábado fui a uma exposição de arte em Santa Monica, no Barker Hangar, e quando voltei já era noite. Comecinho da noite pra ser mais exata. Estamos no Inverno, então as 5 da tarde o sol já se pôs. A minha família americana havia saído de manhã, e visto que o carro deles nao estava na garagem, eles ainda não tinham voltado. Beleza. Tinha em mente só trocar de roupa rapidinho e sair de novo, sendo que com a casa vazia nem social eu precisaria fazer.

Pois entro e claro, tudo escuro, nem uma luzinha acesa aparentemente. O cachorro, minha companhia em momentos de medo-de-ficar-sozinha e socorre-que-eu-sou-cagona, não estava. O bendito foi junto com a família. E lá vou eu, fingindo que sou madura, pensando (tentando) na roupa que eu queria usar -- tudo forçado pra evitar o pânico generalizado. Começo a acender as luzes, uma por uma... aí, chego no corredor que é assim, compriiiido, sabe? Mais comprido do que eu gostaria, com portas para os quartos e terminando lá no final com o master quarto dos pais, inconvenientemente (pra mim) sempre muito escuro.

Nisso, percebo que o que é sempre muito escuro não tá tão escuro assim. Hã? Aperto os olhos tentando discernir o que tô vendo e pois bem, tem uma luz acesa no quarto deles. Láááá no fundinho, no último quarto, porque obviamente havia de ser o último quarto. Que graça teria se fosse o primeiro, ou o banheiro? Suspense e xixi nas calças zero, né. Demorei uns segundos pra identificar a porcaria da luz e concluí que a luz vinha do closet. DO CLOOOOOOOOOOSET! Não dava pra ser mais "sobrenatural"/script de filme que isso. Mas assim, questão de segundos pensei em todas as possibilidades possíveis daquela luz estar acesa, mas eles tinham saído de manhã e aquele é o quarto que mais bate sol, ou seja, não precisa de luz acesa de manhã! Jesus, favor comparecer. Grata.

E lá estou eu, com as sandálias na mão, entre me aproximar mais ou me afastar rápido, correr pro meu quarto ou correr pra porta. Pra ter noção do que é a minha imaginação, vi passar todo um filme no fundinho da minha mente criativa. No filme eu era a protagonista, sendo encurralada no meu próprio quarto por um estranho nada agradável. E pra ajudar, porque nessas horas tudo contribui pra dar mais emoção ao momento, a casa começar a fazer uns barulhos estranhos. Casa americana tem vida própria, já falei? Claro que podia ser só o aquecedor, mas e se fosse um louco-maníaco-de-filme que invadiu a casa e agora estava quietinho só esperando eu ir lá checar o quarto? Estamos na terra dos filmes de terror, bebê. Onde toda casa com a luz apagada é assombrada.

E agora, o que fazer? Taco the baseball nem temos, pensei em pegar uma faca mesmo. Mas faca, gente, eu tenho problema. Ia me dar muito nervoso enfiar uma faca grande em alguém. E o barulho, o "squishhh" quando a faca entrasse? Deve ser pior que cortar laranja! Aí pensei na faquinha pequena. Daria mais trabalho pra fazer efeito, mas essa eu não teria nervoso de usar pra me defender... acho. Olha o naipe dos pensamentos na hora do nervoso... Mas foi aí que me veio a luz. O que acontece sempre nos filmes? Tem sempre um idiota metido a corajoso que vai checar os acontecimentos entranhos, sempre indo de encontro a merda do assassino. E o que acontece? Se fode (que me desculpem os mais sensíveis). Então, nem luz apaguei, corri foi de costas mesmo, numa rapidez que nem Daiane dos Santos com seu duplo twist carpado conseguiria chegar primeiro na porta. Só voltei no dia seguinte - de manhã.

Trocar de roupa pra quê, né?