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domingo, 22 de janeiro de 2012

E a coragem, pra onde foi?

Sábado fui a uma exposição de arte em Santa Monica, no Barker Hangar, e quando voltei já era noite. Comecinho da noite pra ser mais exata. Estamos no Inverno, então as 5 da tarde o sol já se pôs. A minha família americana havia saído de manhã, e visto que o carro deles nao estava na garagem, eles ainda não tinham voltado. Beleza. Tinha em mente só trocar de roupa rapidinho e sair de novo, sendo que com a casa vazia nem social eu precisaria fazer.

Pois entro e claro, tudo escuro, nem uma luzinha acesa aparentemente. O cachorro, minha companhia em momentos de medo-de-ficar-sozinha e socorre-que-eu-sou-cagona, não estava. O bendito foi junto com a família. E lá vou eu, fingindo que sou madura, pensando (tentando) na roupa que eu queria usar -- tudo forçado pra evitar o pânico generalizado. Começo a acender as luzes, uma por uma... aí, chego no corredor que é assim, compriiiido, sabe? Mais comprido do que eu gostaria, com portas para os quartos e terminando lá no final com o master quarto dos pais, inconvenientemente (pra mim) sempre muito escuro.

Nisso, percebo que o que é sempre muito escuro não tá tão escuro assim. Hã? Aperto os olhos tentando discernir o que tô vendo e pois bem, tem uma luz acesa no quarto deles. Láááá no fundinho, no último quarto, porque obviamente havia de ser o último quarto. Que graça teria se fosse o primeiro, ou o banheiro? Suspense e xixi nas calças zero, né. Demorei uns segundos pra identificar a porcaria da luz e concluí que a luz vinha do closet. DO CLOOOOOOOOOOSET! Não dava pra ser mais "sobrenatural"/script de filme que isso. Mas assim, questão de segundos pensei em todas as possibilidades possíveis daquela luz estar acesa, mas eles tinham saído de manhã e aquele é o quarto que mais bate sol, ou seja, não precisa de luz acesa de manhã! Jesus, favor comparecer. Grata.

E lá estou eu, com as sandálias na mão, entre me aproximar mais ou me afastar rápido, correr pro meu quarto ou correr pra porta. Pra ter noção do que é a minha imaginação, vi passar todo um filme no fundinho da minha mente criativa. No filme eu era a protagonista, sendo encurralada no meu próprio quarto por um estranho nada agradável. E pra ajudar, porque nessas horas tudo contribui pra dar mais emoção ao momento, a casa começar a fazer uns barulhos estranhos. Casa americana tem vida própria, já falei? Claro que podia ser só o aquecedor, mas e se fosse um louco-maníaco-de-filme que invadiu a casa e agora estava quietinho só esperando eu ir lá checar o quarto? Estamos na terra dos filmes de terror, bebê. Onde toda casa com a luz apagada é assombrada.

E agora, o que fazer? Taco the baseball nem temos, pensei em pegar uma faca mesmo. Mas faca, gente, eu tenho problema. Ia me dar muito nervoso enfiar uma faca grande em alguém. E o barulho, o "squishhh" quando a faca entrasse? Deve ser pior que cortar laranja! Aí pensei na faquinha pequena. Daria mais trabalho pra fazer efeito, mas essa eu não teria nervoso de usar pra me defender... acho. Olha o naipe dos pensamentos na hora do nervoso... Mas foi aí que me veio a luz. O que acontece sempre nos filmes? Tem sempre um idiota metido a corajoso que vai checar os acontecimentos entranhos, sempre indo de encontro a merda do assassino. E o que acontece? Se fode (que me desculpem os mais sensíveis). Então, nem luz apaguei, corri foi de costas mesmo, numa rapidez que nem Daiane dos Santos com seu duplo twist carpado conseguiria chegar primeiro na porta. Só voltei no dia seguinte - de manhã.

Trocar de roupa pra quê, né?

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Mudei!

E odeio o meu quarto novo.

[drama]

Eu, saindo de uma gripe ninja, ainda com aquela tosse que te envergonha em público, uma pilha de nervos por causa do final do semestre no college, tendo que lidar com mudança. A casa tá uma zona. Uma zo-naaaaaaaaaaa. Eu sei que mudança é assim, ajudei muito, tenho ajudo e vou ajudar mais. Sei que leva tempo, mas tendo sobrado pra mim o quarto que sobrou, eu tô a ponto de tirar a minha calcinha pela cabeça, de parir um filho verde. Na casa anterior o meu quarto era o maior, com a janela mais maravilhosa do mundo, e eu hoje eu vejo que eu até tinha privacidade. Fiquei mal acostumada, fato. Como se meu quadrado já não fosse pequeno, parece que tudo que as pessoas não querem, vai pro meu quarto. Tudo, ou pelo menos é essa impressão que eu tenho. Já achei várias coisas aqui que não eram minhas, como por exemplo uma mala velha e feia que ninguém sabe de onde saiu, uma rede(!), o tapete gigante da cozinha, a impressora, e por aí vai.

Aqui são dois quartos e um master bedroom, então assim, são dois quartos. Um tem um closet de espelho e o outro era vermelho com uma porta que dá pra área de trás. Quando vim ver a casa pela primeira vez, participei da seguinte conversa:

"Bela, qual dos dois quartos vc quer? Acho que vc vai querer o vermelho, né? É diferente, tem a porta pra área..." 

 Oookay. Vamos ver... embora bem pequeno e com um closet-wannabe que mais parece um caixão em pé, tem estilo e eu gosto de vermelho. Sem contar a porta que vai me dar um pouco mais de privacidade pra ir e vir quando quiser. Beleza, gostei. Dias vão, dias vem, uma planta da casa surge na porta da sala de estar com direito a mini-móveis e nome das pessoas nos devidos quartos. Que divertido! 'Xô checar! Opa, que que isso?! Me mudaram de quarto! Ah, a menina de 8 anos acha super maneeeiro ter uma porta no quarto? Tá bom então, eu fico com o closet de espelhos. Troquei a caixa de batom pela caixa de fósforo.

Agora tô aqui, sentada dentro da minha caixa que as pessoas chamam de quarto, de frente pro closet de espelho assistindo a minha pessoa comendo chicken nuggets. Alô, mãe, quero acordar.

Vamos ver como eu me sinto depois que tiver desempacotado tudo e organizado meu espaço quadrado. Mas isso só daqui a duas semanas quando minhas aulas acabam. Até lá, só tapando os ouvidos e cantando la la la la la la la no melhor estilo "fiquei-louca-não-quero-saber".

 [/fim do drama]